sábado, 27 de dezembro de 2014

O PROJETO DE PODER TOTAL DO PT - corruPTos 2.0



O principal problema público do Brasil está longe de ser a corrupção. Não há vivalma no país que desconheça a pandêmica capacidade de nossos políticos furtarem nosso dinheiro através do Estado, formando um aparente “consenso” sobre o mal maior da corrupção.

Se tal cenário poderia ser algo próximo da realidade em regiões dominadas pelos Malufs, Barbalhos, Calheiros Quércias et tutti quanti, a realidade do Brasil no século XXI precisa romper radicalmente com tais concepções fáceis e confortáveis para escarafunchar mais afundo.

Uma corrupção “simples” seria o Estado tomar dinheiro do pagador de impostos (o “contribuinte”, na linguagem cheia de eufemismos e macaqueações para nunca dizer a verdade da política) e alguém, no controle de um órgão estatal, tomar o dinheiro para si. É uma modalidade de roubo mais “indolor”, embora geralmente envolva quantias muito maiores e frequentes do que um mero furto.

A corrupção 2.0, que no Brasil é praticamente apanágio do PT – só ele faz, só ele sabe como fazer, tudo gira ao redor dele – passa quase completamente fora do debate dos nossos jornalistas, intelectuais e formadores de opinião.

Trata-se não do mero enriquecimento pessoal ilegal – da corrupção dos iates, jatinhos, mansões e Fiat Elbas que conhecemos no século passado. É algo distinto que exige uma nova chave de pensamento. É a compra de poder político, algo incrivelmente mais poderoso do que esta coisa reles e comezinha a qual nós, famélicos, nos referimos por dinheiro. Com poder político é possível obter dinheiro e mais poder (por conseguinte, mais dinheiro), porquanto com dinheiro não é possível obter poder político – poder este que pode tomar este mesmo dinheiro ulteriormente.



É o que o PT faz com o controle de fundos de pensão, estatais do porte de Petrobras, Correios, Caixa, Banco do Brasil, Eletrobras etc, forças sindicais, verbas “publicitárias” selecionadas a dedo para a imprensa e blogueiros sub-célebres e sobre-pagos, controle econômico de setores estratégicos por manobras econômicas (do Banco Central e dos transportes às Universidades e programas sociais), contratos de estatais com empreiteiras e congêneres e, last but not least, com os outros poderes democráticos, que deveriam fazer sobrepeso ao Executivo central pelos checks and balances, tornando o Legislativo e o Judiciário dóceis a qualquer manobra do Executivo central.

O mensalão até hoje não é compreendido nem por jornalistas que cuidaram de investiga-lo dia a dia quase que pela última década inteira.

A mesada parlamentar não é uma corrupção qualquer como a de um Fiat Elba ou um ritual satânico na Casa da Dinda: a compra de uma parcela da base aliada tem o fito não de enriquecimento do PT, o corruptor (quem pagou ao receptor de dinheiro em troca de votos obedientes): sua meta era que o Poder Legislativo sempre votasse a favor de medidas que vinham do Executivo Central.

Assim, sob uma aparência de poder dividido, na verdade se viveria em um cenário de poder concentrado inumeravelmente mais violento do que na ditadura: uma ordem de Lula viraria lei, sem discussão parlamentar. É o que Dirceu chama de “hegemonia partidária”, citando o que já ocorreu na Venezuela e Uruguai como exemplos. Na prática, Nicolás Maduro é um ditador não por alinhamento planetário ou golpe, mas por manobras de aparência legal para mudar leis de dentro do parlamento como Dirceu, Genoino, Delúbio, Gushiken et caterva tentaram impor no Brasil.

Não era preciso comprar cada cabeça: uma lei passaria a partir da maioria dos votos. Com uma forte base petista, que já vota petistamente, e a oposição na minoria, bastaria pagar algum troco de pinga para membros da base aliada, os típicos fisiológicos do “meião”, cuja única ideologia, moral e valor é “estar no poder”, e não haveria dúvidas de que personagens tão díspares quanto Paulo Roberto Cunha e José Genoino estariam sempre de acordo.

Os votos que, em teoria, serviriam para brecar vez por outra a concentração de poder no Executivo, se tornavam dóceis regularmente. Legislar por decreto, como se faz na ditadura bolivariana, seria o destino (mais rápido) do Brasil. Alguns meros deputadinhos comprados significariam a ditadura dos 50% mais 1.
Um projeto de poder totalitário e leviatânico como o mensalão, portanto, continuaria 99,9% errado e criminoso se todo o dinheiro usado fosse dinheiro limpo. Mas, ainda por cima, era dinheiro de corrupção.

Mero detalhe bobo: o pagamento mensal que muitos recebiam no mensalão era de uns “meros” R$ 30 mil. Dividido por cada pagador de impostos, não é perto do que cada um de nós, trouxas, pagaremos por rombos como as dívidas da Petrobras, suas refinarias de miragens e suas propinas – descalabros tão chocantes que foram capazes de fazer uma petrolífera dar prejuízo neste planeta em 2012. É preciso roubar MUITO para isto – o equivalente ao PIB de 100 países. Algo difícil de comensurar. De imaginar que tanto dinheiro exista.

Não era para surpresa: dois anos antes, nem a British Petroleum, que havia causado o maior derramamento de óleo da história, conseguiu perder tanto valor de mercado em um ano quanto a Petrobras.

Quando o PT desvia dinheiro, antes fosse para formar “meros ladrões”. Genoino não deve se gabar de ser corrupto e continuar “pobre” (para padrões petistas, uma coxinha podre) – seria preferível que ele torrasse todo o dinheiro que autorizou em cachaça, hotéis de luxo e cartas de Magic do que comprando parlamentares.



A corrupção 2.0 não é fisiológica: aproveita-se dos fisiológicos para se abolir a distinção entre poderes. Não é a corrupção dos iates: é a corrupção dos “heróis do povo”, bem nascidos travestidos de guerrilheiros, sindicalistas e ativistas estudantis subginasianos para agradar os próprios tungados, sonhando com benesses do poder total. É a corrupção ideológica, que vê muito mais do que a cor do dinheiro: quer transformá-lo em vermelho e crescer mais do que ele.

E esta corrupção, é preciso que o debate público nacional descubra de uma vez, nunca foi praticada por ninguém no país antes. Não se poder escrever sobre estes corruptos sem escrever PT.



REFLEXÕES DE 2014 PARA 2015!

Estamos chegando ao fim de 2014, ano em que horror e maravilha se encontram. O horror é de todos conhecido a esta altura. O estado brasileiro está sendo assaltado, espoliado, dilapidado.

O estado, meus caros, reúne tudo e nada ao mesmo tempo: nele estão as instituições, o ordenamento jurídico, os direitos assegurados, as expectativas de direito, os valores que nos permitem conviver de forma mais ou menos harmoniosa etc. Mas, quando falamos em estado, as pessoas desaparecem, somem, perdem, como dizia o poeta, a sua carnadura concreta.

Sim, o estado, numa democracia, nada mais é do que o conjunto dos interesses dos cidadãos traduzido numa ordem abstrata. Estados existem para servir aos indivíduos, não o contrário. Ora, mas são tantos os interesses, tão distintas as inclinações, tão diversas as convicções, tão várias as ideologias, que cabe a pergunta: “Pode um ente abarcar tamanha largueza?”.

A resposta: pode, sim! E tanto mais o fará quanto menos fizer. Vale dizer: o estado mais presente é o menos presente. Um estado gigante deixa de ser um árbitro para ser uma parte do jogo. E produzirá injustiças em penca. Precisamos de um estado mais forte e mais presente na segurança pública, na educação e na saúde. E precisamos que ele saia com urgência da operação da economia propriamente dita. Ao fazê-lo, ele deixa de articular as diferenças e passa ser uma espécie de gendarme em favor de uns poucos privilegiados.

A roubalheira na Petrobras, à diferença do que diz a presidente Dilma, não é apenas obra de indivíduos, de pessoas. É mais do que isso: a roubalheira na Petrobras é fruto de um modelo de gestão, de um sistema, de um modo de entender a coisa pública, como deixou claro o ministro Gilmar Mendes em entrevista exclusiva ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan.

Não estamos sendo assaltados apenas por uma quadrilha. Estamos sendo assaltados, também, por farsantes ideológicos — o que significa, então, a farsa dentro da farsa. Sob o pretexto de produzir justiça social, um bando destrói o patrimônio brasileiro e compromete o futuro do país. Pior para todos nós, mas especialmente para os pobres.

Mas eu falei que o ano de 2014 também traz sinais de maravilha. Percebo um saudável despertar das consciências; noto que é crescente o inconformismo como esse estado de coisas; meus radares detectam uma insatisfação saudável com aqueles que se querem donos do nosso destino. Ao mesmo tempo em que as safadezas da Petrobras nos deixam estarrecidos, elas também nos informam que, de verdade, donos do nosso destino somos nós mesmos.

A democracia não comporta salvadores da pátria; a democracia não comporta demiurgos; a democracia não comporta discursos salvacionistas. A cada dia, mais gente se mostra insatisfeita com esse jogo rasteiro do “nós contra eles”, da política exercida como guerra de todos contra todos, o que, como vemos, só atende aos interesses de ladrões e vigaristas ideológicos.

Sabem por que a Petrobras se tornou aquele antro? Porque os que passaram a decidir seus destinos agem como vencedores de uma guerra sem regras. À moda de tempos idos, de pouco apuro moral e ético, acreditam que a vitória lhes dá o direito de saquear, de estuprar, de humilhar, de eliminar os sobreviventes.

A sociedade está aprendendo a reagir e ganha as ruas não para demonizar pessoas, mas para reivindicar o cumprimento das leis definidas pelo jogo democrático.

Este blog é parte dessa luta e se orgulha muito disso. Não serve a este ou àquele, mas pensa e se posiciona sem falsos pudores. Não tem receio de chamar as coisas e as pessoas pelos seus respectivos nomes. Não ofende, mas confronta. Não agride, mas diz “não” quando julga ser o caso. Não concede, mas diz “sim” quando também julga ser o caso. Não trai jamais seus leitores porque não esconde o que pensa; não se refugia no conforto de uma posição nem-nem; escolhe sempre um caminho.

E nós seguiremos adiante: com alegria, com determinação, com destemor — já que a coragem não deve ser tomada como atributo de homens raros. É só uma obrigação.