sábado, 30 de janeiro de 2016

MAR DE LAMA!



Em fase de negociação com a Procuradoria Geral da República, o acordo de delação premiada de Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, tem tudo para criar novos embaraços para o Palácio do Planalto e para a presidente Dilma Rousseff. A proposta de acordo, em que Azevedo detalha aquilo que tem para contar às autoridades, envolve dois dos auxiliares mais próximos da presidente da República em uma ofensiva para fazer com que a empreiteira despejasse mais dinheiro na campanha da então candidata petista à reeleição.

Nos chamados "anexos" da delação premiada, que resumem os tópicos principais da colaboração, Otávio Azevedo afirmou que a pressão por dinheiro, em pleno ano eleitoral de 2014, partiu do então tesoureiro da campanha petista, Edinho Silva, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e de Giles Azevedo(foto), ex-chefe de gabinete e atual assessor especial de Dilma Rousseff. 

A mensagem, segundo o executivo, era clara: se a Andrade Gutierrez não se engajasse mais efetivamente na campanha petista, seus negócios com o governo federal e com as empresas estatais estariam em risco em caso de vitória de Dilma. Em outras palavras, o executivo, preso em junho do ano passado pela Operação Lava-Jato, relatou o que entendeu como um achaque.

A negociação, iniciada no ano passado, está em fase final na Procuradoria, mas tem enfrentado alguns empecilhos. Até recentemente, os procuradores insistiam para que o executivo fosse além do esquema de corrupção na Petrobras e no setor elétrico. Eles queriam incluir na delação negócios suspeitos na área de telecomunicações, onde o executivo, durante anos, exerceu forte influência - antes de assumir a presidência da Andrade, Otávio Azevedo comandava a Oi, que faz parte do mesmo grupo empresarial. 

Ele esteve à frente, por exemplo, do polêmico processo de fusão da empresa com a Brasil Telecom. Também foi um dos responsáveis pela decisão de aportar recursos na Gamecorp, a empresa de entretenimento de Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O aporte, como se sabe, se deu pouco antes de sair a decisão do governo que abriu caminho para fusão, tão almejada pela companhia. Até recentemente, Azevedo vinha resistindo a incluir esses temas no acordo, o que fez com que a negociação emperrasse na Procuradoria.

A pressão do alto comando da campanha de Dilma Rousseff sobre a Andrade Gutierrez tinha uma explicação. Os petistas reclamavam que a empreiteira, embora fosse detentora de grandes contratos no governo e em estatais, vinha apoiando a candidatura do tucano Aécio Neves. A queixa se transformou em ameaça. A Andrade acabou abrindo os cofres. De agosto a outubro, a empreiteira doou oficialmente 20 milhões de reais ao comitê de Dilma. A primeira contribuição, de 10 milhões de reais, se deu nove dias após Edinho Silva visitar Otávio Azevedo na sede da empreiteira -- àquela altura, a Andrade já havia repassado mais de 5 milhões à campanha de Aécio e não tinha doado ainda um centavo sequer ao comitê petista.

Por ora os procuradores têm apenas os tópicos da delação do executivo. É a partir da assinatura do acordo que começarão os depoimentos - em que ele dará os detalhes de cada um dos assuntos relacionados na proposta de delação. Nas investigações da Lava-Jato, não é a primeira vez que Edinho Silva é acusado de pressionar empreiteiras a dar dinheiro para a campanha. Alvo de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal, ele já havia aparecido nesse mesmo papel na delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da UTC. 

Até aqui, a menção a Giles Azevedo é tida como um dos pontos mais sensíveis da delação, justamente por seu potencial de dano à presidente da República. De todos os auxiliares de Dilma Rousseff, ele é o mais próximo da presidente. É dos poucos autorizados, no governo e fora dele, a falar em nome da petista.

Em notas enviadas a VEJA, o ministro Edinho Silva informou que se encontrou com o então presidente da Andrade Gutierrez e que as doações feitas pela empreiteira foram todas legais e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. Giles Azevedo, que era o coordenador da campanha de Dilma, disse que esteve uma única vez com Otávio Azevedo em 2014, mas não informou o motivo da reunião. (Veja)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Só falta o rabo!


Em plena dieta Ravenna, cheia de restrições, Dilma distribuiu ontem um potinho de jujuba na mesa de cada um dos que participaram do espetáculo de propaganda chamado Conselhão - reunião entre o governo e grandes empresários. O significado simbólico disto, em flagrante contradição com a lógica, é o mesmo usado pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, se vangloriar com o lançamento de um "plano" que vai endividar ainda mais o brasileiro, com o agravante de usar recursos do FGTS e de uma futura multa de demissão como garantia da grana emprestada a juros altos, no formato consignado (desconto em folha de pagamento, sem risco de calote para os bancos).

Mais sofrível que essa lógica do Barbosa, que chegou a usar a expressão "levar o cavalo beber água" (referindo-se aos R$ 83 bilhões em estímulo ao crédito), foi o recado dado ontem Banco Central do Brasil - desmoralizado pela força interventora do desgoverno Dilma. Alexandre Tombini, presidente do BC do B, decretou ontem que "a política monetária ficará em compasso de espera por algum tempo". Ou seja, o juro básico da economia ficará nos estratosféricos 14,25%, sem subir nem descer.

Nada custa lembrar que a Selic estava em 7,25% em abril de 2013... Agora, o desgoverno e a autoridade monetária apostam na "queda da inflação"... O "plano" prometido é atingir a milagrosa meta de 4,5% ao ano... O remédio usado será uma combinação de liberação do crédito com políticas recessivas - coisas que, na prática, não combinam bem. Pior que isto, é ouvir a Presidenta Dilma Rousseff, em pleno Conselhão, pedindo "encarecidamente" que a CPMF seja aprovada. Subir juros, aumentar impostos e fomentar o endividamento irresponsável a juros altos é o mesmo que receitar balinha de jujuba em uma dieta alimentar radical para redução de peso...     

Dá para morrer de rir (ou chorar) com a pobreza do argumento do ministro Nelson Barbosa para justificar a política do "cavalo indo beber água": "Temos que recuperar a economia rapidamente e o desafio imediato é normalizar o estoque de crédito no país. Temos que usar melhor os recursos que já estão disponíveis para usar melhor a liquidez que já existe no sistema bancário". Barbosa afirmou que o governo vê uma demanda por crédito nos segmentos que quer estimular. Segundo ele, há apetite por crédito habitacional, por capital de giro e por linhas para o comércio exterior.

O principal instrumento do plano da "água para o cavalo" será o FGTS. Detalhe grave: é uma grana que não pertence ao desgoverno. O "plano" prevê o uso de quase R$ 50 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. A poupança do trabalhador para o caso de perda do emprego poderá ser usado para a compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) num montante de R$ 10 bilhões — o que deve reforçar a oferta de crédito habitacional — e também para garantir empréstimos consignados (com desconto em folha).

Mais temerária ainda é a ideia de permitir que os trabalhadores usem a multa de 40% paga pelos empregadores em caso de demissão sem justa causa e 10% do próprio Fundo para dar mais segurança ao empréstimo consignado, aumentando sua oferta e reduzindo as taxas de juros desses empréstimos. A sacanagem é que consignado é uma modalidade altamente segura para os bancos, pois o risco de calote é quase nulo. O pagamento é descontado diretamente do salário do trabalhador endividado. Pelas contas do governo, se 10% dos trabalhadores que têm recursos do FGTS usarem esse dinheiro como garantia, o montante de crédito gerado será de R$ 17 bilhões.

Previsão: o FGTS, em breve, vai sofrer um rombo ainda maior. E se o desemprego subir, o fundo ficará ainda mais magro... Se é assim que o governo vai assegurar mais eficiência ao sistema financeiro, como pregou o ministro Barbosa, alegando que a "medida é boa para a economia", fica clara a certeza de que quem vai beber água não serão os cavalos - mas sim os burros ou antas que embarcarem nesta nova modalidade de usura patrocinada pelo mais incompetente desgoverno da História do Brasil.

"No script deles, serão sempre os mocinhos"


É sempre um prazer ler as colunas de Fernando Gabeira. Na desta semana, ele mostra como é impossível ter um diálogo racional com os populistas de esquerda.
Leiam um trecho:
"O colapso, a ruína, a decadência, nada disso importa aos populistas de esquerda. Apenas ressaltam suas boas intenções e a maldade dos críticos burgueses, da grande mídia, enfim, de qualquer desses espaços onde acham que o diabo mora. O Lula tornou-se o símbolo desse pensamento. Na semana em que se suspeita de tudo dele, do tríplex à compra de caças, do petrolão às emendas vendidas, chegou à conclusão de que não existe alma viva mais honesta do que ele.
Aqueles que acreditam num diálogo racional com o populismo de esquerda deveriam repensar seu propósito. Negar a discussão racional pode ser um sintoma de intolerância. Existe uma linha clara entre ser tolerante e gostar de perder tempo. O mesmo mecanismo que leva Lula a se proclamar santo é o que move a engrenagem política ideológica do PT. Quando a maré internacional permitiu o voo da galinha, eles se achavam mestres do crescimento. Hoje, com a maré baixa, consideram-se os mártires da intolerância conservadora. Simplesmente não adianta discutir. No script deles, serão sempre os mocinhos, nem que tenham de atacar a própria Operação Lava Jato."
Gentilmente extraído sem permissão de: "http://www.oantagonista.com/posts/no-script-deles-serao-sempre-os-mocinhos'

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

RESUMO DA LAJA-JATO (28/01/16)

As operações de busca e apreensão desta fase da Lava Jato, que miram o empreendimento que a OAS assumiu da Bancoop, tratam do caso das investigações que rodeiam Lula que está mais próximo de virar uma acusação formal que o levaria à prisão. Lula seria proprietário oculto de uma cobertura no edifício, mas não no papel. Lula diz que o apartamento não é e nunca foi seu, nem de sua esposa, mas contra esta versão há mais de 30 testemunhas que afirmam ter visto a família Lula visitando o apartamento e supervisionando as reformas dali, que incluíram a construção de um elevador privativo. Chama também atenção das autoridades investigativas o fato da OAS ter levado adiante a reforma milionária.



Ontem,  a Polícia Federal mirou o apartamento vizinho ao de Lula, a outra cobertura. Para entender o caso, vamos apresentar abaixo todos os personagens e siglas, além dos elementos na investigação:


EDIFÍCIO SOLARIS – Alvo das buscas da PF e localizado no Guarujá, o condomínio era construído pela Bancoop e hoje encontra-se superhabitado por petistas. As obras do condomínio estavam atrasadas e sob risco de não serem entregues quando a OAS assumiu o empreendimento para levá-lo adiante. João Vaccari Neto tem um apartamento por ali, além de Lula e Marisa, que tiveram uma reforma no imóvel totalmente bancada pela Bancoop, com direito a construção de elevador privativo.

BANCOOP – Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, os casos de desvios por ali começaram a virar notícia em 2010, quando soube-se que dinheiro da cooperativa fora desviado para campanhas petistas desde 2002. Desde 2010 João Vaccari Neto está denunciado pelo envolvimento no caso mas apenas recentemente os desdobramentos da investigação se aprofundaram. 8.500 famílias sofreram prejuízos por conta da roubalheira petista.

OAS – Construtora envolvida no Petrolão, era presidida por Léo Pinheiro que ficou  preso pela Lava Jato por seis meses em Curitiba. Ele e outros 5 diretores da construtora já foram condenadas por Sérgio Moro.
NELCI WARKEN – Presa hoje nesta 22a fase da Lava Jato, prestou serviços de marketing à Bancoop e tem um apartamento no Edifício Solaris. Ela é proprietária da Offshore  Murray Holdings LLC e é no nome desta empresa que está a cobertura vizinha à de Lula. No mesmo endereço em que está registrada a Murray Holdings, há também a empresa Global Participações Empresariais, que está em nome de Wesley Batista, presidente da JBS.

LÉO PINHEIRO – Chama-se José Aldemário Pinheiro Filho o ex-presidente da OAS que já foi condenado por Sérgio Moro a cumprir 16 anos e 4 meses de prisão. Seguidas vezes enviou recados à imprensa de que poderia acertar um acordo de delação premiada. Era tão íntimo de Lula que o chamava de “Brahma”. Acompanhou Marisa Letícia, esposa de Lula, em uma das visitas de supervisão das reformas no apartamento da família Lula que a família Lula nega ser proprietária.

JOÃO VACCARI NETO – Mais um tesoureiro do PT que foi preso, Vaccari participou dos desvios na Bancoop desde 2002.

FREUD GODOY, O SEGURANÇA DE LULA – Sua esposa tem um apartamento no Edifício Solaris. Freud Godoy esteve envolvido no esquema de elaboração e compra de um dossiê contra José Serra nas eleições de 2006.

MARICE CORRÊA DE LIMA – Cunhada de Vaccari Neto, foi uma das poucas agraciadas com imóveis da Bancoop. Ela teve direito a três apartamentos. O último, de 96 metros quadrados e localizado na Zona Norte de São Paulo, custou-lhe apenas R$ 61 mil reais. Recebeu R$ 244 mil da OAS e teve qu explicar isto à PF de Curitiba.

ANA MARIA ÉRNICA –  Diretora financeira da Bancoop, petista, é ré por estelionato no processo na 5ª Vara Criminal que envolve a cooperativa desde 2010. Tem um apartamento no Edifício Solaris.

HEITOR GUSHIKEN – Primo do ex-ministro Luiz Gushiken, também tem um apartamento no Edifício Solaris. – Texto gentilmente roubado lá no Blog do Rafael Brasil -

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

era legal ser petista nos anos 1990


Apesar de nunca ter me deixado seduzir, sou forçado a admitir: era legal ser petista nos anos 1990. Primeiro porque quase todo mundo era petista; depois porque havia algo de desafiador na ideia de eleger um metalúrgico como presidente do país. Nos anos 1990 éramos todos jovens e ousados e revoltadinhos. Levantar uma bandeira vermelha era simplesmente natural.
Hoje em dia, contudo, só continuam petistas três tipos de pessoas: os burros, os canalhas e aqueles que, por falta de palavra melhor, vou chamar de transtornados. Dos primeiros eu tenha certa pena, reconheço; dos segundos, raiva. Quanto aos transtornados, eles me fascinam na mesma medida em que me causam repulsa.
Dos burros não há muito o que falar. Eles simplesmente ignoram os fatos e acreditam cegamente na propaganda oficial. Como exemplo posso citar uma senhora que encontrei na farmácia outro dia. Ao receber a caixinha de remédio do atendente, ela se virou para a amiga e disse: “Meu remédio para a pressão a Dilma me dá de graça”. Ou seja, a pessoa não tem nenhuma noção de que está pagando pelo remédio com os impostos que paga. Entre os burros, pois, incluo os ingênuos – e em muitos casos a burrice não é mais do que isso mesmo: uma ingenuidade dolosa.
Os canalhas são facilmente encontrados nas redes sociais. São pessoas esclarecidas que defendem o Partido dos Trabalhadores porque levam alguma vantagem nisso. É gente que ocupa cargo comissionado e que ganha contrato do governo, por exemplo. Mas há um tipo de canalha especial: o fanático. Para ele, o petismo é uma religião. E ele defenderá seus papas, papisas, santos e diáconos até a morte, usando argumentos os mais sórdidos. Não dá para argumentar com fanáticos. A militância deles é transcendente; eles se consideram escolhidos, destinados a governar o restante da Humanidade.
Por fim, há aqueles que chamo, por falta de palavra melhor, de transtornados. Divido os transtornados em quatro subgrupos: os traumatizados, os românticos, os petistas sociais e, por fim, os psiquiátricos.
Minha inteligência me salvou, mas eu poderia muito bem ter me incluído, em algum momento, entre os que são petistas porque ficaram traumatizados com os anos 1990. Não foi fácil crescer naquela época. Foi difícil sobreviver a greves intermináveis nas faculdades e às absurdas taxas de desemprego. Os petistas traumatizados cederam aos encantos da sereia vermelha e têm uma aversão patológica por qualquer coisa não-petista porque suas lembranças pessoais dos anos 1980 e 1990 são ruins.
Já os petistas românticos são aqueles que acreditam na esquerda moleque, de várzea. São saudosistas de uma utopia. E se recusam a perceber que o sonho ruiu, que o Metalúrgico se corrompeu, que o poder vicia, embriaga e, em última análise, destrói. Os românticos usam argumentos que opõem pobres e ricos porque creem que os pobres (entre eles o Metalúrgico) são de alguma forma seres moral e politicamente superiores.
Mas os transtornados que mais chamam minha atenção são os petistas sociais. Trata-se daquela pessoa que cresceu entre petistas (burros, canalhas ou transtornados, sei lá) e convive com petistas e que, apesar de todos os pesares, segue petista para não ofender os amigos, para não ser excluído. É gente que teme criticar o PT para não ser chamado de “coxinha”, para não perder a namorada, para não irritar o chefe e os amigos.
Por fim, o caso mais grave entre os transtornados: o petista psiquiátrico. Este é até caricatural. Ele grita contra a Rede Globo e a Veja, sai por aí dizendo que todo não-petista pertence à Opus Dei, vê conspirações da CIA em todos os lugares e diz que os partidos de oposição são nazistas. São narcisistas, claro, e creem possuir uma inteligência superior capaz de perceber teorias conspiratórias que mais ninguém enxerga.
Reconheço: era legal ser petista nos anos 1990. Hoje, contudo, o petismo é doença que se cura com escola, cadeia ou algumas visitas a um bom psiquiatra.